sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O Porto

Nossa viagem de dez dias por Portugal, incluiu a cidade que deu o nome ao país: O Porto.

Sendo a segunda maior cidade do país e o quarto município mais populoso, o Porto encanta por sua relação íntima com o Rio Douro, por seu povo de sotaque bem distinto dos lisboetas, e por estar próximo a outras belas cidades, entre tantos motivos.

Certamente, a cidade nos convida a retornar e explorar novas possibilidades.

De Lisboa ao Porto

Vento friiiio, ainda em Lisboa!
Após 6 dias muito agradáveis em Lisboa, optamos por ir ao Porto de trem, ou comboio como lá dizem. Se comprado com antecedência o bilhete pode sair bem mais em conta (mais de 50% de desconto). Nós ficamos em dúvida até o ultimo momento, se íamos de carro ou trem, mas optamos pelo trem mesmo. Só não contávamos com o atraso em mais de uma hora...

Ao sair do hotel, pegamos um táxi até a Estação do Oriente, principalmente por conta das malas, mas é muito fácil pegar o metrô também. O projeto da estação é do renomado arquiteto Santiago Calatrava e realmente se destaca na paisagem urbana, porém, em termos práticos, vou dividir a minha experiência: como o trem atrasou consideravelmente e ficamos esperando no terminal, sentimos na pele que a imponência do projeto não nos abrigava do frio e do vento do final do outono. O percurso durou em torno de 3 horas e descemos na Estação de Campanha, no Porto.

Uma opção muito boa é comprar o bilhete de avião, contemplando o trecho Lisboa-Porto e chegar em 1 hora no destino. Como o Aeroporto de Lisboa é bem localizado, você não vai precisar de tanta antecedência para essa viagem. Fazer o percurso de carro, a princípio seria uma excelente ideia, pois substituiria alguns bate-voltas por pit-stops ou até mesmo pernoites entre Lisboa e Porto. Mas como já mencionei em outro post, não queríamos dirigir...


Onde ficar

Em minhas pesquisas prévias, vi várias possibilidades de hospedagem e, como o Porto é uma cidade pequena, acredito que quase todas as localizações sejam viáveis. Se for uma viagem romântica, certamente eu indicaria hospedar-se na Ribeira e desfrutar da bela vista que o Rio Douro proporciona. 

Ao fundo, a Ponte de Dom Luís I
Em nosso caso, viagem em família, optamos pelo Grande Hotel do Porto, pelo custo-benefício, mas depois fiquei encantada com a história do mesmo. Quando da Proclamação da República no Brasil, a família real, Dom Pedro II e seus familiares, foram convidados a se retirar imediatamente do país. Sob protestos, eles embarcaram para Portugal e terminaram por se hospedar nesse hotel, onde a Imperatriz Teresa Cristina acabou por falecer. O Hotel é antigo, mas muito bem localizado, pois  é possível fazer muitos passeios a pé e também, pegar transporte público saindo dali. O café da manhã é muito bom, com tantas opções, que se distingue do padrão europeu.

Ig. Sto Idelfonso
Majestic Café
Na própria Rua Santa Catarina há muito o que fazer. A poucos metros do hotel, situa-se o belo Majestic Café , que quase sempre encontramos com fila na porta. Experimentamos por lá, entre outras coisas, a deliciosa rabanada.  Achei os valores mais salgados, se comparados com outros estabelecimentos portugueses, mas não deixe de ir. Um pouco mais a frente, encontra-se a Fnac, com muitas ofertas de livros, games, eletrônicos.
Indo um pouco mais além, é possível encontrar a belíssima Igreja de Santo Idelfonso, famosa pela fachada de azulejos, que infelizmente só pude ver à noite.

No outro sentido, há o Shopping Viacatarina, que tem várias lojas e praça de alimentação. Quando fomos, chegamos em um feriado e encontramos as ruas totalmente lotadas, com as pessoas aproveitando para fazer compras. Particularmente, não sou muito fã de shoppings, mas foi bom conhecer. Prefiro lojas de rua, que nesse caso não faltam nessa região.

Capela das Almas
Muito bonita é uma igrejinha que fica mais a frente e tem a fachada também toda coberta de azulejos: a Capela das Almas. Entre as Rua Formosa e a Rua de Fernandes Tomás, visitamos o Mercado do Bolhão, onde podemos encontrar muitos itens típicos de Porto e de Portugal, incluindo aí os souvenirs de viagem. Ah, bem ao lado do mercado, encontra-se uma unidade do Pingo Doce, uma rede de supermercados de lá. Uma dica excelente para comprar os vinhos para o dia-a-dia, bem mais em conta, entre outras coisas. Explore as lojinhas tradicionais do entorno; há algumas encantadoras.

Igreja dos Clérigos

A Baixa


Além das dicas de compras, o Porto é uma cidade em que vale a pena caminhar. Praticamente tudo o que é de interesse para quem vai a primeira vez, encontra-se relativamente próximo. Agora vale ressaltar que a cidade tem vários níveis, então em muitos momento o sobe e desce pode cansar, principalmente idosos e crianças.

Acredito que podemos começar um percurso interessante partindo da Estação de São Bento, que é pequena e tem um interior muito bonito, um dos orgulhos locais. Da Estação, siga caminhando até a Igreja dos Clérigos. Não deixe de visitar o interior, pois é muito bonito. Ah, a entrada é pela lateral da igreja.
Aos fundos da igreja, fica a famosa Torre dos Clérigos e você pode visitá-la e subir seus mais de 200 degraus para ter uma vista panorâmica da cidade.

Fachada da Lello
Logo atrás da Igreja e da Torre dos Clérigos, fica uma praça de desenho moderno e bem interessante, com níveis diferenciados e cafés e lojas distribuídos em uma alameda central. Dessa praça já é possível avistar a Livraria Lello, na Rua das Carmelitas,que ficou famosa após os livros e filmes de Harry Potter.
Livraria Lello
As intricadas escadas seriam a inspiração para as escadas de Hogwarts. Hoje, a livraria cobra ingresso, cujo valor pode ser abatido na compra de livros. Uma observação: passamos na frente da livraria por 3 vezes até encontrar um dia em que a fila não era gigantesca. Não há como confundir o prédio: é o que tem a maior fila do Porto.


Continue caminhando na Rua das Carmelitas e você vai chegar a duas igrejas colada umas na outra: a Igreja das Carmelitas e a Igreja do Carmo. Aliás, a cidade tem igrejas belíssimas, para quem aprecia esse tipo de visita.


Ig. das Carmelitas e Ig. do Carmo
Caminhando um pouco mais de volta ao Centro, visite a Praça da Liberdade, que fica ao longo da Avenida dos Aliados. A praça é muito bonita e tem uma estátua de Dom Pedro IV (Dom Pedro I, no Brasil) ao centro. Nós passamos pela praça algumas vezes, mas a conhecemos à noite, no primeiro dia. Era bem movimentada, acredito que pelo feriado, com muitas pessoas tirando fotos no letreiro da cidade.
Vale aqui compartilhar a dica de uma amiga nossa, que mora na cidade e nos acompanhou nessa primeira noite no Porto. Fomos a um restaurante chamado Cozinha na Baixa, de culinária contemporânea, que foge do esquema "turistão".

A Ribeira


Apesar de ter adorado a localização de nosso hotel, fiquei com muita vontade de me hospedar na Ribeira em uma próxima vez.

Nós fizemos o passeio de barco que passa por seis pontes do rio Douro. É bem turístico, mas uma ótima forma de ter uma perspectiva diferente das cidades. Cidades, sim: o rio é a divisa de duas cidades: Vila Nova de Gaia e Porto.



A belíssima Ponte de D. Luís I, entre outras, liga as duas cidades. Não se contente apenas com o passeio de barco: explore as ruelas, conheça os restaurante e bares, aproveite para tirar de um lado e de outro do rio, converse com os locais, aproveite as iguarias...

Falando em iguarias, não deixe de experimentar a francesinha, um sanduíche típico do Porto. É bem reforçado, contudo, não achei tão saboroso... Mas comi todinho!


Para quem, aprecia frutos do mar, experimente a Taberninha do Manel, em Vila Nova de Gaia, também dica de nossa amiga.

Outra delícia que acabamos descobrindo por acaso foi a torta de nozes no Bar Hasta Publica, no lado do Porto, na Ribeira mesmo.



 


Ah. importantíssimo também conhecer uma das Caves de Vinho do Porto, que apesar do nome, ficam do outro lado, em Gaia. Nós conhecemos a Porto Cálem. Na verdade,  compramos um ingresso que dava direito a um ônibus turístico, passeio de barco e tour na cave. Tudo o que há de interessante no Porto deve ser feito a pé, então o ônibus turístico não compensa mesmo. Havia uma opção de percurso que contemplava uma zona mais afastada da cidade, e foi o que nos motivou, junto com o passeio de barco, mas de verdade, demorou tanto (a espera pelo ônibus e o trajeto), que digo categoricamente: não valeu. Mesmo que você tenha pouco tempo no Porto, não caia nessa.



Estádio do Dragão


Campo e arquibancada
Nossa tentativa de conhecer o estádio do Benfica, em Lisboa, foi um tanto quanto frustrante, então nos programamos para ir bem cedo conhecer o Estádio do Dragão, mesmo porque fica um pouco longe de onde estávamos hospedados. Fomos de metrô. É uma bela visita, embora tenha achado o preço do ingresso bem salgado. O estádio é lindo, muito bem cuidado e tivemos acesso até aos vestiários dos jogadores. Fomos acompanhados todo o tempo e as guias interagiam bem com os visitantes. Percebemos que o estádio é um dos orgulhos dos habitantes e muitos nos perguntavam sobre futebol, sobre jogadores brasileiros que tinham jogado no Porto.

                      

Porto: bate-volta em Guimarães


Uma das grandes vantagens do Porto é a proximidade com outras cidades interessantes: Aveiro, Braga, Guimarães, entre outras.

Por só ter um dia disponível, fomos de trem apenas até Guimarães. O percurso não foi tão curto quanto pensei a princípio e, acredito que valha a pena sair o mais cedo possível para aproveitar o dia. Achei a estação de Guimarães um pouco afastada dos pontos de interesse e, como não havia guichê de informações, nem vimos ponto de táxi, acabamos pedindo informação a uma pessoa que nos fez caminhar muito até chegar onde queríamos.

Acho até que nos saímos bem, mas poderíamos ter poupado nossa energia para andar mais pela parte histórica ou ter visitado a região do Castelo. Daí a importância de pesquisar previamente ou de ter internet móvel no smartphone (a essa altura, já tinha esgotado a minha).

A cidade de Guimarães ostenta o título berço de Portugal, por ser o local de nascimento de D. Afonso Henriques, primeiro rei do país. Em 2001, o centro histórico com seus monumentos medievais, foi tombado pela UNESCO como Patrimônio Mundial.

Não fomos ao Castelo, como já disse aqui, mas a dica que pesquisei é pegar um táxi para subir até o mesmo e ir descendo em direção ao Centro. Busque entrar nas ruelas e se deixar levar por esse clima medieval.


Boas lembranças e a vontade de voltar

Sim, O Porto é um charme só e tem muito mais possibilidade a explorar. De uma próxima vez, quero explorar mais o Rio Douro, as outras cidades da região, me hospedar na Ribeira... Belíssimo destino!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Portugal em família: Lisboa



Templo de Diana, Évora
Destino querido dos brasileiros, Portugal é um país pequeno, mas com tantas opções interessantes que foi difícil decidir o que fazer nessa nossa viagem em família. Ficamos pouco mais de 10 dias no país e nos limitamos a nos hospedar em Lisboa e Porto, deixando as demais cidades por conta dos bate-voltas. Apesar de ter adorado, não vejo a hora de voltar e pernoitar naquelas vilas e cidades menores...


Comprando as passagens 

Eu havia acabado de voltar de uma viagem onde fiquei 4 noites em Lisboa e estava encantada com a receptividade do portugueses. Eu e minhas amigas tínhamos ido em Abril e, ao chegar, contei para meu esposo e filho como eu havia sentido falta deles e que seria maravilhoso voltar lá, mesmo porque os custos com minha viagem haviam sido bem razoáveis. Recebi o sinal verde do maridão e, acho que comprei nossas passagens apenas uns 2 meses depois e, em Dezembro de 2016, já estávamos embarcando.

Lisboa ao entardecer
Natal em Lisboa
Fomos mais uma vez pela TAP e consegui um preço acessível, saindo de Fortaleza. Mas tenho percebido, de uns tempos para cá, que está ficando mais difícil achar promoções de verdade nessa companhia. Outra coisa, em geral, sai mais em conta ficar em Lisboa ou Porto, como stopover, do que como destino final. Sei que deve ter uma lógica, mas eu não engulo muito, não. Então, se topar conhecer Portugal aos pouquinhos, vale a pena considerar o stopover.

Quantos dias ficar

Para ficar só em Lisboa, acho 3 noites o mínimo, mínimo mesmo. Caso queira esticar até Sintra ou Cascais, pode incluir mais um dia. Para o Porto, no mínimo 2 dias, só para ver o básico. Para conhecer razoavelmente bem essas 2 cidades e fazer uns bate-voltas interessantes, acredito que uns 10 dias sejam suficientes. Originalmente, nossa programação era de 6 dias em Lisboa, incluindo aí 2 dias para passeios, e de 4 dias para O Porto, incluindo 1 cidade próxima. Acredito que entre 10 e 14 dias seja o ideal, dependendo do ritmo de viagem.

Quando ir


Chuva em Belém
No meus post anterior sobre Portugal, já falava sobre as chuvas em Abril e, em Dezembro, também há uma ocorrência intensa de chuvas, mas o tempo é imprevisível. Baixe o app Accuweather e confira até a véspera da viagem, antes de fazer a mala. A minha dica é comprar, em Lisboa mesmo, pelo menos um traje impermeável e, se chover, compre galochas. existem inúmeras lojinhas de importados com galochas a preços bem acessíveis.

De certa forma, a chuva atrapalhou pelo menos um dia de nossa viagem, mas o frio, ao contrário, não incomodou. Era final de outono e acredito que a mínima que pegamos ficou em torno de 10ºC.


Onde ficar

Depois de comprar as passagens, comecei logo a pesquisar  hospedagem e, no caso, considerei o Air BNB como uma opção bem viável para Lisboa, já que seriam 6 dias e a diferença de preço já começa a compensar bem. No entanto, optei por hotel por 3 razões: viajar com criança limita um pouco mais, gosto da comodidade do café da manhã servido no hotel, fora o fato de que tinha acumulado 2 diárias gratuitas no Hoteis.com e aproveitei para descontar nessa estadia.

Em Lisboa, busquei hotéis no Rossio, que considero o bairro perfeito para quem vai a primeira vez: é possível fazer quase tudo a pé e é super bem servido de transporte público. Adorei a nossa escolha, o Rossio Garden, um hotel pequeno, em uma rua com acesso restrito para carros e a poucos passos da Praça dos Restauradores e da Praça do Rossio, assim como da Praça da Figueira.

O  que fazer

Apesar de já ter ido a Lisboa anteriormente, como falei nesse post, priorizei meu filho, que ia pela primeira vez, então refiz alguns programas. Outros, que considero importantes, deixei para lá, pois tinha feito a pouco tempo. Mas aqui, vou fazer um apanhado do que considero um roteiro básico para quem vai pela primeira vez.

1. Caminhar pela cidade

Em nossa primeira tarde em Lisboa, logo após fazer o check in, saímos para caminhar pela cidade. Nesse momento é que se vê a importância de uma boa localização. Saímos do hotel e em poucos metros já estávamos na Praça Dom Pedro IV (nosso D.Pedro I). No entorno da praça, tem várias lojas e uma nos chamou atenção: o Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa.

Dentro da árvore de natal, Praça do Comércio
Continuamos caminhando pela Rua Augusta até avistar o Arco e logo em seguida chegar na Praça do Comércio, a beira do Rio Tejo. Entender um pouco da História dessa cidade é fundamental para apreciá-la melhor em todos os seus aspectos. A Praça do Comércio, por exemplo, tem profunda relação com o terremoto de 1755, seguido de tsunami e incêndio, que destruíram grande parte da cidade, vitimando 90 mil pessoas, das 300 mil que lá viviam.  A praça é um dos símbolos da reconstrução da cidade e da estética pombalina. Essa influência foi determinante para o urbanismo brasileiro e a conformação de nossas cidades. Confira esse video que recria a sucessão de desastres que começou com o terremoto.


-Fala, Pessoa!
Benfica Store
Vale lembrar que encontramos a cidade toda decorada para as festas natalinas e lotada de turistas. A Rua Augusta tem vários pontos interessantes, embora esteja tomada por restaurantes do tipo "pega-turista". Gostei de tomar um café na pastelaria Casa Brasileira, em pé, no balcão (servem tudo frio, coxinha, croquete) e de comprar chocolates da Casa Macário, logo em frente. Meus esposo ficou fã da Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau (que é o bolinho de bacalhau). O diferencial é que eles recheiam o pastel com queijo da Serra da Estrela e acompanha uma tacinha de vinho branco.

Livraria Bertrand, no Chiado
Para quem gosta de futebol também tem a loja do Benfica, a Benfica Official Store. As ruas paralelas e perpendiculares também são interessantes e vale apena percorrê-las. Muito bom ver esses nomes Rua Áurea, Rua da Prata, Rua dos Sapateiros, Rua da Vitória, que remetem a um tempo em que as pessoas se relacionavam intimamente com a cidade e seus moradores. Que pena que no Brasil, os nomes originais das ruas acabaram sendo substituídos, muitas vezes para homenagear políticos desqualificados. :(

 O Elevador de Santa Justa, os Armazéns do Chiado, a Livraria Bertrand, a mais antiga do mundo em funcionamento, o Largo do Chiado e o famoso Café a Brasileira (paradinha básica para a clássica foto com Fernando Pessoa), entre outros pontos de interesse, estão a poucos passos e nos convidam a parar para observar essa cidade que renasceu após a Expo 98 e desde então vem recebendo cada vez um numero maior de turistas. 

2. Conhecer o Castelo de São Jorge e Alfama.

Nessa última visita, não fui ao Castelo de São Jorge, por ter ido a pouquíssimo tempo, mas recomendo a visita, inclusive ao museu e do observatório que tem a experiência ótica. Reserve pelo menos uma manhã para ver desfrutar do Castelo e sua linda vista.

Maria Catita
Depois desça calmamente pelas ruas íngremes e vá até os Miradouro das Portas do Sol e depois o de Santa Luzia, sempre apreciando as visuais da cidade, depois caminhe até a Sé de Lisboa e em seguida a Igreja de Santo Antônio, o de Pádua, que nasceu em Lisboa.

Olha só, dessa vez, fomos apenas à noite até o miradouro de Santa Luzia, vimos as igrejas fechadas e na volta ficamos em um restaurante muito legal bem próximo à Igreja de Santo Antônio, o Maria Catita. Foi nosso jantar de despedida da cidade e não poderia ter sido mais gostoso: ótimo atendimento, muitas opções deliciosas e o "pior bolo de chocolate do mundo" para sobremesa.


3. Conhecer o Parque das Nações

Oceanário de Lisboa
O símbolo da modernização de Lisboa, o Parque das Nações vale a visita em família principalmente pelo Oceanário de Lisboa. Meu filho, com 10 anos no momento da viagem, adorou.
Fomos de metrô até a Estação do Oriente, projeto de Santiago de Calatrava, entramos rapidamente no Shopping Vasco da Gama e seguimos até chegar ao Rio Tejo, onde pegamos o sentido da direita para ir de teleférico até o Oceanário. É um passeio relativamente caro, mas que as crianças gostam.Descemos bem próximos ao Oceanário e compramos os ingressos.

Teleférico, Parque da Nações
 Uma coisa que nos chamou atenção na visita foram os grupos de idosos e de estudantes, todos aproveitando esse momento de aproximação com a vida marinha. Depois, passamos rapidamente na lojinha do museu e fomos caminhando até o shopping, passando pelo Pavilhão de Portugal, projeto do arquiteto Alvaro Siza, que eu considero o mais elegante do conjunto. Almoçamos no Vasco da Gama, na Portugália, que fica no piso superior, em um terraço. O shopping é bem bonito, mas eu particularmente acho que shopping é tudo igual...

4. Ir até Belém

Igreja do Mosteiro dos Jerônimos
De todos os passeios em Lisboa em si, o que considero mais "conta-mão" é ir até Belém, então, melhor programar 1 dia inteiro para os "lados de lá". Inclusive, pense bem se vale a pena ir de transporte público, pois demora bastante e, nesse caso, considere táxi ou uber.

Pastelaria de Belém
Imperdível é comer o legítimo Pastel de Belém (o resto é pastel de nata e, acredite, é diferente) e conhecer a pastelaria, que é imensa. Não caia na ilusão de pegar a fila para comer no balcão. Não compensa.

Depois, faça a digestão indo até o Mosteiro dos Jerônimos. Se tiver o Lisboa Card, a entrada é gratuita e, para a Igreja, não é cobrado ingresso.



Escola Equestre
Nós incluímos um programa diferente em nosso passeio: fomos visitar a Escola Portuguesa de Arte Equestre. Infelizmente, não conseguimos assistir a apresentação de gala, mas vimos um treino comum. É interessante, mas para quem gosta de cavalos.

LX Factory, Alcântara
Ainda fomos andando até a Torre de Belém, mas é uma caminhada considerável. Fracionamos nossa visita a belém em 2 dias, pois no primeiro dia chovia muito o que atrapalhou demais nossa programação.

Aproveitamos para, na volta, ir até Alcântara, e visitar a LX Factory, que é uma iniciativa bem interessante de ocupação de galpões de fábricas desocupadas e totalmente voltado para a economia criativa.

5. Passar o dia /pernoitar em Sintra

Sintra
Eu adorei ter visitado Sintra em abril e, pessoalmente, gostaria de ter pernoitado lá dessa vez. Porém, houve mudança de planos e acabamos não visitando essa joia portuguesa.

Mas é super fácil de chegar, tanto de carro, quanto de trem (comboio), que sai da Estação do Rossio e vai para Sintra. No caminho, é possível ainda visitar o Palácio de Queluz.


6. Pit-stop ou bate e volta em Fátima e Óbidos


Fátima
Batalha
Como nem meu esposo, nem eu estávamos dispostos a dirigir, contratamos um tour com a Viver Lisboa Tours para conhecer Fátima, que contemplava ainda o Mosteiro da Batalha, Nazaré, Alcobaça e Óbidos. É o tour mais pedido pelos brasileiros. Fátima realmente é interessante pela questão da fé, mas é relativamente demorado para chegar e pode ser cansativo. Se você não é devoto, não tem porque ir. Digo isso, apesar de ser católica e de ter gostado muito de Fátima.


Alcobaça
Nazaré
Ao sair de Fátima fomos até Nazaré, famosa pelas ondas gigantes. Almoçamos nessa cidade e depois seguimos para Alcobaça, onde visitamos apenas a igreja e os túmulos de Pedro e Inês. Lembram do ditado "agora Inês é morta"?Vem daí e fala do "Romeu e Julieta" portugueses.

 Chegamos em Óbidos já a noite, pois fomos no final do outono. e anoitece mais cedo. Eu já tinha ido a Óbidos de ônibus e apesar de ter gostado, achei um tanto quanto turística demais, embora seja uma graça tomar a ginginha por lá. Confesso que gostei até mais à noite, pois as ruas estavam esvaziadas e a lua estava linda nesse dia.
Óbidos, em Abril de 2016


7. Conhecer Évora e Monsaraz


Capela dos Ossos, Évora
Outono em Évora
Eu definitivamente gostei muito do Alentejo, mas para aproveitar bem, tem que ser de carro. Fizemos de tour também, mas bem exclusivo, com o Eduardo, da Viver Lisboa Tours e nós 3 no carro. Fomos conversando a viagem toda e apesar de longe, chegamos em Évora, parando primeiramente no Templo de Diana. De lá, caminhamos pelas ruas cheias de folhas amareladas até chegar a Praça do Giraldo e em seguida fomos até a Capela dos Ossos ("nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos").
Monsaraz
Saindo de Évora, seguimos até o Castelo de Monsaraz, que foi para mim a grande surpresa dessa viagem. Quase na Espanha, Monsaraz é digna de cenário de filme e, a tempestade que estava prestes a desabar, ajudou a criar o clima Game of Thrones. De lá, ainda passamos por Arraiolos, mas estava tudo fechado.


8. Visitar o Estádio do Benfica


Estádio da Luz
Bom, visitar Estádio da Luz, ou do Benfica, não estava originalmente nos meus planos, mas aproveitamos uma brecha que surgiu numa mudança de roteiro. Porém, nos atrasamos para chegar no Estádio e acabamos, por 5 minutos, perdendo o último tour para conhecê-lo. Até pedi que nos deixassem pelo menos ver o campo, pois tínhamos andado bastante pegando ônibus e metrô, mas não foi possível. Tudo bem, sem ressentimentos, mas a partir daí começamos a torcer pelo Porto!


E O Porto?

Ah, de Lisboa fomos de trem até O Porto, saindo da Estação do Oriente, com um belíssimo atraso do trem. Mas vamos deixar essa aventura para o próximo post. Até a próxima.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Milão merecia mais...

Milão, a Itália Moderna

Nossa primeira viagem a Itália foi mais que perfeita: Roma, Florença, Veneza e Milão. Lógico que que eu estou falando em PRIMEIRA viagem, pois não quero passar por essa vida sem ir a Itália de novo, conhecer o sul do país e, inclusive, voltara Roma outras vezes.

Porém, dessas cidades, acredito que não consegui me dedicar a Milão, talvez pelo pouco tempo, já que ficamos 2 noites (um dia e meio, na prática), ou mesmo por ser fim de viagem e eu estar com muita saudade do meu filho. Cada um tem seu limite (7, 10, 22 dias, que seja) e o meu é de 12 dias, desde a hora em que entro no avião. Assim sendo, Milão calhou de ser o 13º dia... :(

Mas é uma cidade muito bonita, moderna e realmente se apresenta como um contraste para o restante da Itália, principalmente para o viajante que já veio de outras cidades como já citei acima. Vale a pena ir a Milão, sim. Acredito, inclusive, que vale a pena brincar de "viver" em Milão, durante a sua viagem. Por não ser um Museu a céu aberto, Milão tem uma dimensão mais humana, que estabelece uma experiência de troca com o visitante. Deu pra entender? Acho que sim. :)

Chegando em Milão

Chegamos em Milão, vindos de Veneza, com parada estratégica em Verona. Fizemos o trajeto de trem e é uma viagem que recomendo. A grande maioria das pessoas que eu conheço, que viajaram para a Itália, começam o percurso por Milão e encerram por Roma, exatamente o oposto do que fizemos. No meu outro post, explico as vantagens da nossa escolha.

A estação Milano Centrale é muito grande e belíssima e me arrependo de não ter tirado fotos, mas vale aqui reforçar que todo cuidado é pouco em estações de trem na Itália, principalmente as mais movimentadas. Estão cheias de descuidistas e a clássica paradinha com câmera fotográfica, quando se está carregando malas, é praticamente um chamado para os aproveitadores.

Ao sair da estação, foi só pegar um táxi pro hotel. O transporte público é muito bom em Milão, como em muitas cidades grandes, mas só se você estiver de mochila ou mala pequena. De verdade, prefiro economizar na comida e nunca mais passar o perrengue que passei em Paris ao ir do aeroporto para o hotel usando transporte público. Nesse post do Milão nas Mãos tem dicas muito boas de transporte e para quem chega de avião.

Hotel ou AirBNB

Taí um item que deve ser bem pensado na sua viagem para Milão, por que hospedagem nessa cidade é muuuito cara. E se você pensa em ir durante a Feira de Milão, queridinha dos designers e arquitetos, aí prepare o bolso e com muita antecedência.

Dentre todos os hotéis em que nos hospedamos para essa viagem, o que mais se diferenciou no perfil foi o de Milão. Sempre buscamos hotéis mais próximos dos pontos turísticos e de preferência, pequenos, charmosinhos, coisa e tal. Em Milão, ficamos em um hotel executivo, o UNA Hotel Tocq mas com uma excelente localização, longe dos pontos turísticos tradicionais, mas bem ao lado da Porta Nuova, expoente da Milão moderna. A noite, inclusive, dá pra ouvir o som das pessoas nas ruas, porque é bem movimentado nos arredores. Eu gostei muito. 

Pouco tempo depois que eu fui, algumas amigas foram para a Feira de Milão e os preços estavam incrivelmente mais altos, então elas optaram por ficar em um apartamento alugado pelo Air BNB e disseram que a experiência foi ótima.

Hop On Hop Off

Eu acho que o ônibus turístico tem o seu valor, embora existam cidades que se adaptam melhor do que outras para essa modalidade de transporte. Desde o planejamento dessa viagem, já sabia que teríamos pouquíssimo tempo em Milão, então, busquei o mapa do ônibus turístico Hop On Hop Off e escolhi o hotel próximo a uma de sua paradas para aproveitar ao máximo as 24 horas de passeio. No caso, nosso hotel ficava próximo a parada 5 da linha azul. Ah, existem 3 linhas e é possível trocar de uma para outra em paradas em comum.



Não aproveitamos tanto o ônibus como gostaríamos pois já chegamos tarde de Verona. Estava quase anoitecendo e decidimos conhecer alguns bares. Saímos andando em direção Piazza della Republica e escolhemos um bar aleatoriamente. Acabamos voltando logo o hotel, de taxi mesmo, mas eu e meu marido decidimos sair de novo e fomos conhecer a Porta Nuova, bem movimentada a noite, com muitos bares, restaurante e atividades ao ar livre, apesar de ainda ser inverno.


No dia seguinte, após o café, já estávamos esperando o ônibus para conhecer um pouco de Milão. Poucas paradas depois e chegamos no Duomo, que é a catedral de Milão e seu principal ponto turístico. O Duomo é uma construção gótica, mas de arquitetura bem peculiar. Na verdade, é uma profusão de detalhes em um formato pouco comum para uma igreja. Acredito, inclusive, que por pouco essa construção não deu muito errado, já que pode ser considerada tudo, menos elegante. Mas não podemos dizer que não seja imponente. 


A praça é um ponto de encontro e dali podemos ir para vários locais de interesse na cidade, como a Galeria Vittorio Emanuelle e o Teatro Alla Scala de Milão.
Repare tampbém na estátua equestre do Rei Vittorio Emanuele no centro da praça.

A Galeria foi pensada originalmente para ser um corredor que ligasse duas praças, a do Duomo e a do Teatro. Típico exemplar da arquitetura do ferro, foi finalizada em 1877 e praticamente destruída nos bombardeios da Segunda Guerra.
Além de lojas de grife, uma das atrações desse local é procurar o touro no mosaico do piso para pisar nos testículos dele. Não se trata de crueldade, sendo uma superstição para trazer sorte.

Em relação ao Teatro Alla Scala, reside aí uma das minhas frustrações: não ter feito a visita guiada. 


Trata-se de um dos templos da ópera, onde nomes ilustres se apresentaram, desde sua inauguração em 1778, como Maria Callas, Luciano Pavarotti, Plácido Domingo, Rudolf Nureyev, entre outros. Bem em frente há uma praça com o mesmo nome e que ao centre tem uma estátua de Leonardo d Vinci.


E a famosa Última Ceia de Leonardo da Vinci? Também não visitei, mas nesse caso foi porque busquei os ingressos com pouca antecedência (acredito  que faltando uns 2 ou 3 meses e isso é pouco, mesmo se tratando de baixa estação). Então, caso você decida visitar Milão e tenha interesse em ver essa obra prima, que fica dentro do convento Santa Maria delle  Grazie, tente reservar logo após comprar sua passagem aérea.

Ainda pensamos em visitar o San Siro, estádio do Milan e da Inter, mas estava tendo jogo no dia e só pudemos ver de longe. Outro programa bem bacana para quem está com tempo e disposição é visitar o Castelo Sforzesco, que infelizmente só vi por fora. Eu só tenho como culpar a minha total falência física, pois confesso que meu cansaço era tanto que mal conseguia disfarçar e acabei cochilando no ônibus... Meus companheiros de viagem é que relaxaram, pois se eu que era a "caxias" tinha cochilado, então tava "liberado".

Noite em Milão

Como tinha gostado muito da Porta Nuova  na noiteanterior, na segunda noite, resolvemos voltar e apreciar as belas edificações, a iluminação, os espaços abertos e simplesmente ver as pessoas na rua. Achei curioso como todo mundo usa preto. Sei que era final de inverno, que favorece as cores mais sóbrias, mas até um casaco cinza se destacaria nesse caso.

Acabamos por escolher um restaurante de rua para curtir o friozinho de Milão. Em relação aos custos, também foi a cidade com alimentação mais cara, pela qual passamos na Itália.



De volta ao Brasil

Como sabíamos o quanto era caro o transfer até o aeroporto, resolvemos negociar na véspera com um taxista uma corrida do hotel até Malpensa. Fechamos um valor razoável, que ainda assim era caro. A curiosidade aqui foi o nosso companheiro de viagem que, na metade do caminho se deu conta de que tinha esquecido o passaporte no hotel... Isso aconteceu uns 30 minutos depois de termos saído. Aí a nossa negociação foi por água abaixo, mas nosso amigo pagou o excedente, mas deu certo e também chegamos quase no limite da hora do embarque. Não tivemos problemas justamente porque sempre deixamos boa uma folga para o horário do vôo.

Vou terminando esse texto como aquela sensação frustrante de que Milão merecia mais de mim. Mas talvez aí mesmo resida o motivo para voltar e aproveitar mais da próxima vez.

Até a próxima