quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Bahia: Praia do Forte

Depois de um ano atribulado, a viagem a Bahia, programada inicialmente para julho, foi transferida para Dezembro. Não era minha primeira vez nesse Estado, na verdade foi a quarta vez, mas posso considerar que foi como descobrir a Bahia novamente, pois tudo mudou muito desde a última vez que eu tinha ido a Salvador.

Sabe o que não mudou? O meu encanto por essa terra e povo especiais.


Bahia em Família

Eu e meus pais fomos a Salvador a primeira vez quando eu tinha dez ou onze anos de idade, em uma viagem de ônibus incrivelmente longa e cansativa, mas em que eu era toda curiosidade. 

Naquela época, Salvador era muito maior do que Fortaleza, nossa cidade natal, mas me recordo do Pelourinho, antes de passar por uma grande reforma, de apresentações de capoeira e de ver pratos com despacho nas calçadas. Por tantas lembranças que eu ainda guardava, achei que seria a viagem perfeita para eu levar minha mãe junto: nós duas, novamente na Bahia, além do meu filho e esposo. 

Praia do Forte: como ir

Vamos a uma dica que considero importante: se você pretende se hospedar na Praia do Forte, programe-se para ir direto do aeroporto de Salvador. Nós contratamos um traslado, que inclusive recomendo bastante e, em pouco mais de uma hora, já estávamos em nossa pousada. Dependendo do trânsito, você pode economizar pelo menos uns 40 minutos com essa estratégia.

Em uma das minhas viagens anteriores, cheguei a visitar a Praia do Forte, ainda pouco urbanizada e já com o Projeto Tamar. Confesso que não reconheci nada mais. Tudo está mudado, mas a urbanização ficou excelente, pelo menos para os turistas. Acredito que a população local também viva bem, pois de modo geral, vi as pessoas felizes e trabalhando, vivendo dignamente. Mas essa é minha percepção. 


Praia do Forte: onde ficar

A hospedagem na Praia do Forte não é barata, então, é interessante pesquisar com certa antecedência, mesmo porque, nos fins de semana costuma lotar. Escolhi a Pousada Rosa dos Ventos, que achei bastante charmosa e bem localizada, com uma equipe toda muito simpática, café da manhã bem servido e uma cortesia de um café da tarde. Nosso quarto era bem dimensionado e ficava na expansão da pousada, a poucos metros do prédio original.


Observamos muitos apartamentos em condomínios fechados, inclusive, disponíveis para locação. Acredito que para uma estadia um pouco mais longa, seja interessante. Como a vila é muito pequena, imagino que qualquer localização seja viável, em termos de hospedagem na Praia do Forte.




Também acho  que é possível se programar para passar o dia e voltar a noite, mas perde-se o charme que é a vila ao anoitecer, com seus restaurantes e clima agradável. Conselho de amiga? Pernoite.

Praia do Forte: o que fazer

Primeira coisa a fazer na Praia do Forte: vá ver o mar e respire fundo, relaxe e diminua seu ritmo. Pronto, a partir daí, você pode fazer tudo sem pressa. Veja a Igrejinha de São Francisco, as crianças se banhando, as embarcações, tome uma água de côco com um senhor que canta músicas do Dorival Caymmi e então, pode ir para o Projeto Tamar.

No Projeto Tamar, existem vários tipos de ingresso, inclusive um valor diferenciado para famílias. Veja a programação do dia, bem na entrada e agende o que você vai fazer. Ao comprar o ingresso, você recebe uma carimbada na mão e pode adentrar no Projeto durante todo o dia, ir e voltar quanatas vezes quiser.

Não deixe de fazer o tour guiado e aprender sobre as tartarugas marinhas e outros animais que se encontram lá, nessa iniciativa pioneira e que mudou o perfil dessa localidade. Existem também várias atividades para crianças de todas as idades, tudo depende do que você quer fazer.

Ah, sabe aquela história de não comer em restaurante de museu e parques? Pois é, aqui é a exceção: adoramos o restaurante do projeto, tanto em atendimento, qualidade dos produtos, como preço justo. Fora que você almoça bem de frente para o mar, ouvindo o barulho das ondas. Perfeito.

Outra atividade imperdível é fazer o mergulho nos corais. Existem várias pessoas oferecendo esse serviço nas ruas, então, na dúvida, certifique-se na recepção do hotel.

Nós fizemos o nosso e recebemos, ainda no mesmo dia, as fotos que o instrutor tirou. Fomos caminhando até a praia e calçamos umas "crocs" que eles fornecem, daí, recebemos as instruções e seguimos direto para as piscinas naturais.

Dica: quanto mais cedo, melhor, embora dependa das condições da maré, pois tem menos gente no local. 


Existe ainda o Instituto Baia Jubarte , mas não conseguimos encaixar em nossa programação. Também deve ser incrível avistar as baleias, mas para isso, programe sua visita entre os meses de julho e outubro.

É indispensável que você visite O Parque Histórico do Castelo Garcia e mergulhe de cabeça na História do Brasil. Minha primeira vez nesse sítio arqueológico foi quando ainda era estudante de Arquitetura e nunca esqueci a sensação de viagem no tempo.

Trata-se da primeira fortificação portuguesa militar e residencial do Brasil. Para ir até lá, pegamos um tuc-tuc na pousada e em alguns minutos estávamos no complexo. Acreditem se quiser, mas éramos os únicos turistas visitando o local. 

Como eu disse anteriormente, diminuir o ritmo é essencial para aproveitar a Praia do Forte em tudo o que ela pode proporcionar, então, ao final do dia, tome um banho gostoso e vá aproveitar uma refeição gostosa em um dos muitos restaurantes que há por lá. Nós experimentamos o 7 Pizzas com o excelente atendimento, Its Gastronomia para lanches, Papa Gente para um jantar a dois, entre outros.
Ah, para quem gosta de compras, há inúmeras lojas com artesanato e souvenir para presentear os familiares.

No próximo post, vou falar sobre nossa estada em Salvador e relembrar com carinho desses dias de baianidade.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O Porto

Nossa viagem de dez dias por Portugal, incluiu a cidade que deu o nome ao país: O Porto.

Sendo a segunda maior cidade do país e o quarto município mais populoso, o Porto encanta por sua relação íntima com o Rio Douro, por seu povo de sotaque bem distinto dos lisboetas, e por estar próximo a outras belas cidades, entre tantos motivos.

Certamente, a cidade nos convida a retornar e explorar novas possibilidades.

De Lisboa ao Porto

Vento friiiio, ainda em Lisboa!
Após 6 dias muito agradáveis em Lisboa, optamos por ir ao Porto de trem, ou comboio como lá dizem. Se comprado com antecedência o bilhete pode sair bem mais em conta (mais de 50% de desconto). Nós ficamos em dúvida até o ultimo momento, se íamos de carro ou trem, mas optamos pelo trem mesmo. Só não contávamos com o atraso em mais de uma hora...

Ao sair do hotel, pegamos um táxi até a Estação do Oriente, principalmente por conta das malas, mas é muito fácil pegar o metrô também. O projeto da estação é do renomado arquiteto Santiago Calatrava e realmente se destaca na paisagem urbana, porém, em termos práticos, vou dividir a minha experiência: como o trem atrasou consideravelmente e ficamos esperando no terminal, sentimos na pele que a imponência do projeto não nos abrigava do frio e do vento do final do outono. O percurso durou em torno de 3 horas e descemos na Estação de Campanha, no Porto.

Uma opção muito boa é comprar o bilhete de avião, contemplando o trecho Lisboa-Porto e chegar em 1 hora no destino. Como o Aeroporto de Lisboa é bem localizado, você não vai precisar de tanta antecedência para essa viagem. Fazer o percurso de carro, a princípio seria uma excelente ideia, pois substituiria alguns bate-voltas por pit-stops ou até mesmo pernoites entre Lisboa e Porto. Mas como já mencionei em outro post, não queríamos dirigir...


Onde ficar

Em minhas pesquisas prévias, vi várias possibilidades de hospedagem e, como o Porto é uma cidade pequena, acredito que quase todas as localizações sejam viáveis. Se for uma viagem romântica, certamente eu indicaria hospedar-se na Ribeira e desfrutar da bela vista que o Rio Douro proporciona. 

Ao fundo, a Ponte de Dom Luís I
Em nosso caso, viagem em família, optamos pelo Grande Hotel do Porto, pelo custo-benefício, mas depois fiquei encantada com a história do mesmo. Quando da Proclamação da República no Brasil, a família real, Dom Pedro II e seus familiares, foram convidados a se retirar imediatamente do país. Sob protestos, eles embarcaram para Portugal e terminaram por se hospedar nesse hotel, onde a Imperatriz Teresa Cristina acabou por falecer. O Hotel é antigo, mas muito bem localizado, pois  é possível fazer muitos passeios a pé e também, pegar transporte público saindo dali. O café da manhã é muito bom, com tantas opções, que se distingue do padrão europeu.

Ig. Sto Idelfonso
Majestic Café
Na própria Rua Santa Catarina há muito o que fazer. A poucos metros do hotel, situa-se o belo Majestic Café , que quase sempre encontramos com fila na porta. Experimentamos por lá, entre outras coisas, a deliciosa rabanada.  Achei os valores mais salgados, se comparados com outros estabelecimentos portugueses, mas não deixe de ir. Um pouco mais a frente, encontra-se a Fnac, com muitas ofertas de livros, games, eletrônicos.
Indo um pouco mais além, é possível encontrar a belíssima Igreja de Santo Idelfonso, famosa pela fachada de azulejos, que infelizmente só pude ver à noite.

No outro sentido, há o Shopping Viacatarina, que tem várias lojas e praça de alimentação. Quando fomos, chegamos em um feriado e encontramos as ruas totalmente lotadas, com as pessoas aproveitando para fazer compras. Particularmente, não sou muito fã de shoppings, mas foi bom conhecer. Prefiro lojas de rua, que nesse caso não faltam nessa região.

Capela das Almas
Muito bonita é uma igrejinha que fica mais a frente e tem a fachada também toda coberta de azulejos: a Capela das Almas. Entre as Rua Formosa e a Rua de Fernandes Tomás, visitamos o Mercado do Bolhão, onde podemos encontrar muitos itens típicos de Porto e de Portugal, incluindo aí os souvenirs de viagem. Ah, bem ao lado do mercado, encontra-se uma unidade do Pingo Doce, uma rede de supermercados de lá. Uma dica excelente para comprar os vinhos para o dia-a-dia, bem mais em conta, entre outras coisas. Explore as lojinhas tradicionais do entorno; há algumas encantadoras.

Igreja dos Clérigos

A Baixa


Além das dicas de compras, o Porto é uma cidade em que vale a pena caminhar. Praticamente tudo o que é de interesse para quem vai a primeira vez, encontra-se relativamente próximo. Agora vale ressaltar que a cidade tem vários níveis, então em muitos momento o sobe e desce pode cansar, principalmente idosos e crianças.

Acredito que podemos começar um percurso interessante partindo da Estação de São Bento, que é pequena e tem um interior muito bonito, um dos orgulhos locais. Da Estação, siga caminhando até a Igreja dos Clérigos. Não deixe de visitar o interior, pois é muito bonito. Ah, a entrada é pela lateral da igreja.
Aos fundos da igreja, fica a famosa Torre dos Clérigos e você pode visitá-la e subir seus mais de 200 degraus para ter uma vista panorâmica da cidade.

Fachada da Lello
Logo atrás da Igreja e da Torre dos Clérigos, fica uma praça de desenho moderno e bem interessante, com níveis diferenciados e cafés e lojas distribuídos em uma alameda central. Dessa praça já é possível avistar a Livraria Lello, na Rua das Carmelitas,que ficou famosa após os livros e filmes de Harry Potter.
Livraria Lello
As intricadas escadas seriam a inspiração para as escadas de Hogwarts. Hoje, a livraria cobra ingresso, cujo valor pode ser abatido na compra de livros. Uma observação: passamos na frente da livraria por 3 vezes até encontrar um dia em que a fila não era gigantesca. Não há como confundir o prédio: é o que tem a maior fila do Porto.


Continue caminhando na Rua das Carmelitas e você vai chegar a duas igrejas colada umas na outra: a Igreja das Carmelitas e a Igreja do Carmo. Aliás, a cidade tem igrejas belíssimas, para quem aprecia esse tipo de visita.


Ig. das Carmelitas e Ig. do Carmo
Caminhando um pouco mais de volta ao Centro, visite a Praça da Liberdade, que fica ao longo da Avenida dos Aliados. A praça é muito bonita e tem uma estátua de Dom Pedro IV (Dom Pedro I, no Brasil) ao centro. Nós passamos pela praça algumas vezes, mas a conhecemos à noite, no primeiro dia. Era bem movimentada, acredito que pelo feriado, com muitas pessoas tirando fotos no letreiro da cidade.
Vale aqui compartilhar a dica de uma amiga nossa, que mora na cidade e nos acompanhou nessa primeira noite no Porto. Fomos a um restaurante chamado Cozinha na Baixa, de culinária contemporânea, que foge do esquema "turistão".

A Ribeira


Apesar de ter adorado a localização de nosso hotel, fiquei com muita vontade de me hospedar na Ribeira em uma próxima vez.

Nós fizemos o passeio de barco que passa por seis pontes do rio Douro. É bem turístico, mas uma ótima forma de ter uma perspectiva diferente das cidades. Cidades, sim: o rio é a divisa de duas cidades: Vila Nova de Gaia e Porto.



A belíssima Ponte de D. Luís I, entre outras, liga as duas cidades. Não se contente apenas com o passeio de barco: explore as ruelas, conheça os restaurante e bares, aproveite para tirar de um lado e de outro do rio, converse com os locais, aproveite as iguarias...

Falando em iguarias, não deixe de experimentar a francesinha, um sanduíche típico do Porto. É bem reforçado, contudo, não achei tão saboroso... Mas comi todinho!


Para quem, aprecia frutos do mar, experimente a Taberninha do Manel, em Vila Nova de Gaia, também dica de nossa amiga.

Outra delícia que acabamos descobrindo por acaso foi a torta de nozes no Bar Hasta Publica, no lado do Porto, na Ribeira mesmo.



 


Ah. importantíssimo também conhecer uma das Caves de Vinho do Porto, que apesar do nome, ficam do outro lado, em Gaia. Nós conhecemos a Porto Cálem. Na verdade,  compramos um ingresso que dava direito a um ônibus turístico, passeio de barco e tour na cave. Tudo o que há de interessante no Porto deve ser feito a pé, então o ônibus turístico não compensa mesmo. Havia uma opção de percurso que contemplava uma zona mais afastada da cidade, e foi o que nos motivou, junto com o passeio de barco, mas de verdade, demorou tanto (a espera pelo ônibus e o trajeto), que digo categoricamente: não valeu. Mesmo que você tenha pouco tempo no Porto, não caia nessa.



Estádio do Dragão


Campo e arquibancada
Nossa tentativa de conhecer o estádio do Benfica, em Lisboa, foi um tanto quanto frustrante, então nos programamos para ir bem cedo conhecer o Estádio do Dragão, mesmo porque fica um pouco longe de onde estávamos hospedados. Fomos de metrô. É uma bela visita, embora tenha achado o preço do ingresso bem salgado. O estádio é lindo, muito bem cuidado e tivemos acesso até aos vestiários dos jogadores. Fomos acompanhados todo o tempo e as guias interagiam bem com os visitantes. Percebemos que o estádio é um dos orgulhos dos habitantes e muitos nos perguntavam sobre futebol, sobre jogadores brasileiros que tinham jogado no Porto.

                      

Porto: bate-volta em Guimarães


Uma das grandes vantagens do Porto é a proximidade com outras cidades interessantes: Aveiro, Braga, Guimarães, entre outras.

Por só ter um dia disponível, fomos de trem apenas até Guimarães. O percurso não foi tão curto quanto pensei a princípio e, acredito que valha a pena sair o mais cedo possível para aproveitar o dia. Achei a estação de Guimarães um pouco afastada dos pontos de interesse e, como não havia guichê de informações, nem vimos ponto de táxi, acabamos pedindo informação a uma pessoa que nos fez caminhar muito até chegar onde queríamos.

Acho até que nos saímos bem, mas poderíamos ter poupado nossa energia para andar mais pela parte histórica ou ter visitado a região do Castelo. Daí a importância de pesquisar previamente ou de ter internet móvel no smartphone (a essa altura, já tinha esgotado a minha).

A cidade de Guimarães ostenta o título berço de Portugal, por ser o local de nascimento de D. Afonso Henriques, primeiro rei do país. Em 2001, o centro histórico com seus monumentos medievais, foi tombado pela UNESCO como Patrimônio Mundial.

Não fomos ao Castelo, como já disse aqui, mas a dica que pesquisei é pegar um táxi para subir até o mesmo e ir descendo em direção ao Centro. Busque entrar nas ruelas e se deixar levar por esse clima medieval.


Boas lembranças e a vontade de voltar

Sim, O Porto é um charme só e tem muito mais possibilidade a explorar. De uma próxima vez, quero explorar mais o Rio Douro, as outras cidades da região, me hospedar na Ribeira... Belíssimo destino!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Milão merecia mais...

Milão, a Itália Moderna

Nossa primeira viagem a Itália foi mais que perfeita: Roma, Florença, Veneza e Milão. Lógico que que eu estou falando em PRIMEIRA viagem, pois não quero passar por essa vida sem ir a Itália de novo, conhecer o sul do país e, inclusive, voltara Roma outras vezes.

Porém, dessas cidades, acredito que não consegui me dedicar a Milão, talvez pelo pouco tempo, já que ficamos 2 noites (um dia e meio, na prática), ou mesmo por ser fim de viagem e eu estar com muita saudade do meu filho. Cada um tem seu limite (7, 10, 22 dias, que seja) e o meu é de 12 dias, desde a hora em que entro no avião. Assim sendo, Milão calhou de ser o 13º dia... :(

Mas é uma cidade muito bonita, moderna e realmente se apresenta como um contraste para o restante da Itália, principalmente para o viajante que já veio de outras cidades como já citei acima. Vale a pena ir a Milão, sim. Acredito, inclusive, que vale a pena brincar de "viver" em Milão, durante a sua viagem. Por não ser um Museu a céu aberto, Milão tem uma dimensão mais humana, que estabelece uma experiência de troca com o visitante. Deu pra entender? Acho que sim. :)

Chegando em Milão

Chegamos em Milão, vindos de Veneza, com parada estratégica em Verona. Fizemos o trajeto de trem e é uma viagem que recomendo. A grande maioria das pessoas que eu conheço, que viajaram para a Itália, começam o percurso por Milão e encerram por Roma, exatamente o oposto do que fizemos. No meu outro post, explico as vantagens da nossa escolha.

A estação Milano Centrale é muito grande e belíssima e me arrependo de não ter tirado fotos, mas vale aqui reforçar que todo cuidado é pouco em estações de trem na Itália, principalmente as mais movimentadas. Estão cheias de descuidistas e a clássica paradinha com câmera fotográfica, quando se está carregando malas, é praticamente um chamado para os aproveitadores.

Ao sair da estação, foi só pegar um táxi pro hotel. O transporte público é muito bom em Milão, como em muitas cidades grandes, mas só se você estiver de mochila ou mala pequena. De verdade, prefiro economizar na comida e nunca mais passar o perrengue que passei em Paris ao ir do aeroporto para o hotel usando transporte público. Nesse post do Milão nas Mãos tem dicas muito boas de transporte e para quem chega de avião.

Hotel ou AirBNB

Taí um item que deve ser bem pensado na sua viagem para Milão, por que hospedagem nessa cidade é muuuito cara. E se você pensa em ir durante a Feira de Milão, queridinha dos designers e arquitetos, aí prepare o bolso e com muita antecedência.

Dentre todos os hotéis em que nos hospedamos para essa viagem, o que mais se diferenciou no perfil foi o de Milão. Sempre buscamos hotéis mais próximos dos pontos turísticos e de preferência, pequenos, charmosinhos, coisa e tal. Em Milão, ficamos em um hotel executivo, o UNA Hotel Tocq mas com uma excelente localização, longe dos pontos turísticos tradicionais, mas bem ao lado da Porta Nuova, expoente da Milão moderna. A noite, inclusive, dá pra ouvir o som das pessoas nas ruas, porque é bem movimentado nos arredores. Eu gostei muito. 

Pouco tempo depois que eu fui, algumas amigas foram para a Feira de Milão e os preços estavam incrivelmente mais altos, então elas optaram por ficar em um apartamento alugado pelo Air BNB e disseram que a experiência foi ótima.

Hop On Hop Off

Eu acho que o ônibus turístico tem o seu valor, embora existam cidades que se adaptam melhor do que outras para essa modalidade de transporte. Desde o planejamento dessa viagem, já sabia que teríamos pouquíssimo tempo em Milão, então, busquei o mapa do ônibus turístico Hop On Hop Off e escolhi o hotel próximo a uma de sua paradas para aproveitar ao máximo as 24 horas de passeio. No caso, nosso hotel ficava próximo a parada 5 da linha azul. Ah, existem 3 linhas e é possível trocar de uma para outra em paradas em comum.



Não aproveitamos tanto o ônibus como gostaríamos pois já chegamos tarde de Verona. Estava quase anoitecendo e decidimos conhecer alguns bares. Saímos andando em direção Piazza della Republica e escolhemos um bar aleatoriamente. Acabamos voltando logo o hotel, de taxi mesmo, mas eu e meu marido decidimos sair de novo e fomos conhecer a Porta Nuova, bem movimentada a noite, com muitos bares, restaurante e atividades ao ar livre, apesar de ainda ser inverno.


No dia seguinte, após o café, já estávamos esperando o ônibus para conhecer um pouco de Milão. Poucas paradas depois e chegamos no Duomo, que é a catedral de Milão e seu principal ponto turístico. O Duomo é uma construção gótica, mas de arquitetura bem peculiar. Na verdade, é uma profusão de detalhes em um formato pouco comum para uma igreja. Acredito, inclusive, que por pouco essa construção não deu muito errado, já que pode ser considerada tudo, menos elegante. Mas não podemos dizer que não seja imponente. 


A praça é um ponto de encontro e dali podemos ir para vários locais de interesse na cidade, como a Galeria Vittorio Emanuelle e o Teatro Alla Scala de Milão.
Repare tampbém na estátua equestre do Rei Vittorio Emanuele no centro da praça.

A Galeria foi pensada originalmente para ser um corredor que ligasse duas praças, a do Duomo e a do Teatro. Típico exemplar da arquitetura do ferro, foi finalizada em 1877 e praticamente destruída nos bombardeios da Segunda Guerra.
Além de lojas de grife, uma das atrações desse local é procurar o touro no mosaico do piso para pisar nos testículos dele. Não se trata de crueldade, sendo uma superstição para trazer sorte.

Em relação ao Teatro Alla Scala, reside aí uma das minhas frustrações: não ter feito a visita guiada. 


Trata-se de um dos templos da ópera, onde nomes ilustres se apresentaram, desde sua inauguração em 1778, como Maria Callas, Luciano Pavarotti, Plácido Domingo, Rudolf Nureyev, entre outros. Bem em frente há uma praça com o mesmo nome e que ao centre tem uma estátua de Leonardo d Vinci.


E a famosa Última Ceia de Leonardo da Vinci? Também não visitei, mas nesse caso foi porque busquei os ingressos com pouca antecedência (acredito  que faltando uns 2 ou 3 meses e isso é pouco, mesmo se tratando de baixa estação). Então, caso você decida visitar Milão e tenha interesse em ver essa obra prima, que fica dentro do convento Santa Maria delle  Grazie, tente reservar logo após comprar sua passagem aérea.

Ainda pensamos em visitar o San Siro, estádio do Milan e da Inter, mas estava tendo jogo no dia e só pudemos ver de longe. Outro programa bem bacana para quem está com tempo e disposição é visitar o Castelo Sforzesco, que infelizmente só vi por fora. Eu só tenho como culpar a minha total falência física, pois confesso que meu cansaço era tanto que mal conseguia disfarçar e acabei cochilando no ônibus... Meus companheiros de viagem é que relaxaram, pois se eu que era a "caxias" tinha cochilado, então tava "liberado".

Noite em Milão

Como tinha gostado muito da Porta Nuova  na noiteanterior, na segunda noite, resolvemos voltar e apreciar as belas edificações, a iluminação, os espaços abertos e simplesmente ver as pessoas na rua. Achei curioso como todo mundo usa preto. Sei que era final de inverno, que favorece as cores mais sóbrias, mas até um casaco cinza se destacaria nesse caso.

Acabamos por escolher um restaurante de rua para curtir o friozinho de Milão. Em relação aos custos, também foi a cidade com alimentação mais cara, pela qual passamos na Itália.



De volta ao Brasil

Como sabíamos o quanto era caro o transfer até o aeroporto, resolvemos negociar na véspera com um taxista uma corrida do hotel até Malpensa. Fechamos um valor razoável, que ainda assim era caro. A curiosidade aqui foi o nosso companheiro de viagem que, na metade do caminho se deu conta de que tinha esquecido o passaporte no hotel... Isso aconteceu uns 30 minutos depois de termos saído. Aí a nossa negociação foi por água abaixo, mas nosso amigo pagou o excedente, mas deu certo e também chegamos quase no limite da hora do embarque. Não tivemos problemas justamente porque sempre deixamos boa uma folga para o horário do vôo.

Vou terminando esse texto como aquela sensação frustrante de que Milão merecia mais de mim. Mas talvez aí mesmo resida o motivo para voltar e aproveitar mais da próxima vez.

Até a próxima

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Lisboa

Lisboa de novo, e de novo, e de novo...

Fortaleza, Natal e Recife estão bem mais próximas da Europa do que as cidades do Sul e Sudeste brasileiros; qualquer um com um mapa pode ver... ;)

Acontece que a oferta de vôos saindo dessas e de outras cidades no Norte e Nordeste não é tão grande e pensar que temos que ir até São Paulo, esperar algumas horas em Guarulhos :( pra depois seguir rumo a Europa, quando já estávamos quase na metade do caminho, não é nem um pouco animador.

Por isso mesmo, quando há alguns anos a TAP começou a ofertar vôos pra Europa, saindo de Fortaleza, foi um senhor estímulo para muita gente, inclusive para mim. E a querida Lisboa, acabou se transformando em portão de entrada para nós e, muitas vezes primeiro ponto de visitação, graças a stopovers ou conexões mais demoradas.


Pouco tempo em Lisboa

Nossa primeira vez em Lisboa foi enquanto esperávamos um vôo para Budapeste. Chegamos bem cedo pela manhã e ainda teríamos que esperar mais de 8 horas no aeroporto, resolvemos então sair e conhecer um pouco a cidade.

O aeroporto de Portela, em Lisboa, tem uma localização privilegiada sob o ponto de vista do turista: em poucos minutos em um táxi  e já se está no centro da cidade. Além de tudo, os táxis são baratos em Lisboa. Para essas poucas horas, imaginamos duas possibilidades: pegar o Elétrico 28 e dar uma volta passando pelos principais pontos turísticos da cidade, ou ir até o Parque das Nações, que inclusive é muito mais próximo do aeroporto e representa uma Lisboa mais moderna. Creio que tomamos a decisão mais acertada.

Como nossas malas tinham sido embarcadas, ficamos apenas com bagagem de mão. Naquela ocasião, ainda não andava com umas mudas de roupa na bagagem de mão, então nem precisei de guarda-volumes. Se fosse hoje, depois de já ter tido mala extraviada, com certeza teria que procurar esse serviço no aeroporto.

Estávamos em 3 casais e pegamos um táxi maior, que nós deixou no Parque das Nações em poucos minutos. Descemos na Estação do Oriente, belíssimo projeto de Santiago Calatrava, de onde partem ônibus e trens. Em seguida fomos conhecer o Parque das Nações e seus pavilhões.


É bem verdade que eu estava super ansiosa para visitar o Oceanário de Lisboa, que é a joia da coroa do Parque, inaugurado por ocasião da Expo de 1998. Foi também aquele momento da viagem em que eu mais lamentei não ter levado o meu filho. Mas essa questão será resolvida em breve, em nossa próxima incursão em Lisboa.


Gostei muito do projeto do Oceanário, elegante e sem pirotecnia arquitetônica. Um prédio em que nós sentimos realmente parte de um aquário gigante.

               








A projeto de educação ambiental relaciona as nossas ações diretamente com a preservação dos oceanos e as crianças tem a ajuda do Vasco, mascote do Oceanário para aprimorar esse aprendizado. Ver tão de perto os animais como tubarões, arraias e peixes-lua também me impressionou. Da mesma forma, ver os pinguins e lontras em ambientes que reproduzem seu habitat natural também foi inesquecível.







Essa viagem tem quase 5 anos e eu ainda lembro de detalhes. Foi uma excelente forma de fazer valer o tempo de espera e ainda conhecer um aspecto muito interessante da cidade.


Abril, águas mil

Em Abril desse ano, regressamos a Lisboa no retorno de nossa viagem a Amsterdã. Já havíamos estado outra vez na cidade em 2014, quando fomos a Itália, mas com apenas 3 horas entre os vôos, realmente não havia mais o que fazer ao não ser perambular pelo Aeroporto de Portela.

Já dessa vez, nossa programação incluiria 4 noites na cidade. Ficamos hospedadas no Neya Hotel Lisboa, que apesar de bem localizado, implicava em fazer uma caminhada mais longa até a estação de metrô mais próxima ou ponto de ônibus.

Dependendo do número de pessoas com quem se viaje a Lisboa, talvez compense  pegar táxi ou Uber. Nesse sentido, não achei que o Lisboa Card fosse tão vantajoso tanto em termos de transporte público. Caso você divida o táxi com mais três pessoas, por exemplo, pagará muito pouco, com a vantagem de reduzir o tempo de espera pelo transporte. Claro que não devemos subestimar o prazer de uma volta no Elétrico 28. Infelizmente, devido o nosso pouco tempo e a chuva que atrapalhou um pouco nossa viagem, ainda não foi dessa vez que experimentei o Elétrico. :(

Falando em chuva, quando programamos nossa estadia na cidade, fizemos várias pesquisas e não vimos tanta ocorrência de chuva assim... Ao chegar lá é que ouvimos o ditado "Abril, águas mil"... Olha esse outro provérbio, que descobri depois, enquanto escrevia esse texto: Abril chuvoso, Maio ventoso, Junho amoroso fazem um ano formoso. Conclusão: nada como a cultura popular para descrever bem o lugar.

Nossa primeira noite foi encantadora, pois um amigo que reside em Lisboa nos levou para um tour noturno. Combinamos dele nos pegar na Cervejaria Trindade e de lá fomos direto ao Castelo de São Jorge, depois paramos no Miradouro de Santa Luzia e seguimos para Belém, onde fomos até o Mosteiro dos Jerônimos e depois a Torre de Belém. Essa experiência de ver os monumentos a noite, iluminados, com as ruas desertas e ouvindo as explicações de nosso amigo foi incrível!

No dia seguinte, iniciamos nossa visita pelo Castelo de  São Jorge, que pela manhã revela-se como um documento vivo da História lusitana. Além das muralhas, escadarias e miradouros, o complexo do castelo tem um recinto onde se pode experimentar uma visão de 360° de Lisboa, a partir desse ponto, fora um pequeno museus com os artefatos encontrados nas escavações do castelo. Vale a pena conhecer um pouco da História, antes de fazer essa visita. Nem tanto a chuva, o que mais marcou esse momento foi o tempo "ventoso" como se diz na terrinha.

Ainda em Alfama, bairro do Castelo, pegamos um pouco de chuva, mas visitamos a Sé, muto bonita, de fachada austera.

Infelizmente, a Igreja de Santo Antônio encontramos fechada. Aqui vai uma curiosidade; o Santo Antônio de Pádua, que tem devotos no mundo todo, na verdade nasceu em Lisboa, sendo o santo de maior devoção na cidade, embora o padroeiro seja São Vicente.

Muito bom seria programas a estadia em Lisboa para junho e encontrar a cidade toda enfeitada de bandeirinhas em homenagem a Santo Antônio.



 De lá, seguimos para Belém, de táxi mesmo, pois cansamos de esperar pelo elétrico, fora que todas as paradas estavam cheias de pessoas. Nossa estadia coincidiu com um jogo da Eurocopa e a cidade estava lotada. Descemos exatamente na pastelaria para experimentar os famosos Pasteis de Belém (os originais, pois os outros são pasteis de nata). Vai aí uma dica: entre na pastelaria e procure uma mesa. A pequena fachada esconde um mundo e o local é enorme, com muitas mesas no interior, onde você pode experimentar, além dos pastéis, as outras iguarias. É bem mais tranquilo e você evita a fila imensa para comprar no balcão.

Bem ao lado da  pastelaria está a joia da arquitetura manuelina, o Mosteiro dos Jerônimos. Belém foi uma das áreas de Lisboa que pouco sofreu com o terremoto de 1755. Aliás, a História dessa cidade foi dramaticamente marcada por esse evento, cuja simulação você pode conferir nesse video.

O fato é que o Mosteiro encontra-se muito bem conservado e é amplamente visitado, contendo os túmulos dos ilustres Fernando Pessoa, Alexandre Herculano e, na igreja, Vasco da Gama e Camões.

Ainda em Belém, há a Torre de Belém, que só visitei a noite e não entrei. Também há o Padrão dos descobrimentos, homenagem aos desbravadores portugueses e suas conquistas no Novo Mundo. Esses eu vou deixar literalmente para a próxima.

Ainda visitamos outros monumentos espalhados pelos vários bairros da cidade: a Praça do Comércio, o Chiado, onde fomo no Café a Brasileira e tiramos a famigerada foto com Fernando Pessoa, fomos ao Cais do Sodré, visitamos a Cervejaria Portugalia, o mercado da Ribeira, fomos ao Rossio, visitamos a Praça Dom Pedro IV, que nada mais é do que o nosso Dom Pedro I. Da estação de trem foi que pegamos um comboio para Sintra. Em outro post falo mais desse passeio e de Óbidos também, que visitamos de ônibus, ou autocarro,como se diz por lá.

Apesar de ter sido um pouco prejudicada pela chuva, nossa estadia confirmou que Lisboa é uma cidade plenamente pronta para o turismo, sendo movimentada a qualquer hora do dia. Muitos turistas jovens da Europa mesmo aproveitam os valores mais acessíveis da cidade, assim como os vôos low cost,  para passar o fim de semana em Lisboa. Gostei tanto que devo retornar ainda esse ano para ver o que a chuva me impediu de visitar. ;)

Até a próxima.